Com uma importância histórica para a humanidade, a mineração é um processo imprescindível para o progresso da sociedade. É por meio dela que se obtém grande parte das matérias-primas e dos insumos utilizados nos mais diversos tipos de indústrias. A relevância da mineração é tamanha que, mesmo em meio à crise econômica que se alastra pelo Brasil, a balança comercial do setor apresentou saldo positivo de US$ 4,2 bilhões no primeiro trimestre de 2015. As exportações da indústria mineral somaram US$ 10,7 bilhões, com participação de 25% do total das exportações brasileiras. Segundo análise feita pela Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia (SGM/MME), somente no primeiro trimestre deste ano, as importações da mineração (extrativa) totalizaram US$ 1,7 bilhão, avançando 6,2%, em relação ao mesmo período do ano anterior, atribuído ao aumento dos preços dos principais minérios importados: potássio, fosfato e enxofre bem como ao aumento, em volume, das importações de carvão metalúrgico.
Apesar de toda essa relevância, a atividade de mineração é extremamente agressiva ao meio ambiente. A poluição atmosférica está presente ao longo de todas as fases do empreendimento minério – desde a extração até o transporte - comprometendo à natureza e a saúde humana. “Na indústria de mineração, a maior preocupação é com o meio ambiente. Normalmente, as empresas que trabalham com mineração estão situadas em locais cada vez mais remotos, onde qualquer tipo de contaminação pode facilmente se transformar em um acidente ambiental. É uma responsabilidade muito grande”, afirma o representante da Mcfil, Marcello Vinicius Bernardini.
As atividades minerais produzem vários tipos de poluentes atmosféricos, dentre os quais se destacam os óxidos de carbono (CO e CO2), os óxidos de nitrogênio (NOx), os óxidos de enxofre (SOx) e os particulados. Diante desse cenário, os sistemas de filtragem de ar se tornam ferramentas essenciais para a indústria de mineração, como explica o gerente de vendas do Grupo Inbra, Daniel Guillermo de la Fuente: “os sistemas de filtração contribuem para a eliminação de emissão de particulados ao ambiente através dos seus efluentes gasosos”.
A filtragem na mineração está presente em várias etapas do processo como escavação, transporte, moagem, beneficiamento, etc.
A maioria das mineradoras trabalham com filtros convencionais de mangas com gaiolas. “Estas aplicações não exigiam, até então, um tipo de filtração muito eficiente em termos de emissões. Com o aumento da fiscalização por órgãos ambientais, algumas mineradoras já vêm procurando por tecnologias mais avançadas, de maior eficiência de filtração e vida útil”, comenta Marcello. As tecnologias mais avançadas hoje são de mangas convencionais com membranas de teflon e os cartuchos plissados.

Filtros manga
Os sistemas de filtração de ar têm como objetivo reduzir a emissão de partículas lançadas na atmosfera. Os filtros empregados nesse processo são os do tipo manga, eletrostáticos ou por centrifugação. Por serem relativamente barato em relação a outros sistemas, os filtros manga têm emprego bastante difundido. “Os filtros mangas são a tecnologia mais antiga e mais difundida pelo mundo. De um valor mais baixo, oferecem grande variedade de meios filtrantes, aumentando assim, a gama de aplicações. Em conjunto com gaiolas de aço carbono ou inox, podem trabalhar em ambientes de alta temperatura ou corrosivos”, diz Marcello.
Nesse sistema, a filtragem ocorre por meio da retenção mecânica e pela atração eletrostática, sendo a retenção mecânica mais predominante. Nesse processo, ao atingir as fibras de tecido, as partículas são retidas e, com o acúmulo desses particulados, eles próprios acabam funcionando como barreira para as demais partículas. “Na medida em que essa camada aumenta, a vazão de ar através da manga diminui e a diferença de pressão entre a entrada e a saída do gás aumenta”, explica Daniel.
Quando esse aumento de pressão atinge determinado valor é acionado um sistema de movimentação das mangas, de modo a desprender esse pó coletado que cai numa tremonha de descarga. O ciclo então é reiniciado até a saturação total do tecido ou o seu rompimento. “Importante considerar que as mangas novas não são tão eficientes quanto aquelas que já têm algum período de uso. Isso se deve à formação de uma camada de pó que vai agir como elemento complementar na filtragem. Procedimento comum nessas aplicações é trocar parcialmente as mangas em fim de vida”, ressalta o gerente de vendas do Grupo Inbra.
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Cartucho plissado
Os filtros do tipo cartucho plissado, também conhecidos como mangas plissadas, são bastante utilizados na filtração de ar da indústria de mineração. O sistema segue o mesmo mecanismo dos filtros manga para retenção de particulado, porém possui um custo maior. “Apesar de mais caros, os filtros do tipo cartucho plissado têm a vantagem de reduzir o espaço necessário para sua instalação. Isto se deve à relação Ar/Pano, que é a relação de volume de ar por unidade de tempo e da área de tecido existente na instalação”, explica Daniel. “Filtros de mangas plissadas ou cartuchos podem ser muito menores que um filtro de mangas e gaiolas, pois agregam área filtrante através das plissas, reduzindo o tamanho do equipamento, gerando economia de material, mão de obra, peso e espaço na planta”, complementa Marcello.
Considera-se ideal (salvo aplicações especiais) uma relação na qual a passagem de ar pelo tecido ocorra a uma velocidade não maior do que 2,5 m/s. Acima disto, começa a ocorrer de forma acentuada, a migração de partículas da superfície para o interior do tecido e deste para a superfície externa entrando novamente no fluxo gasoso e assim aumentando a quantidade de partículas expelidas ao ambiente.
Como o filtro plissado possui uma superfície bem maior que a manga tradicional, a velocidade de passagem diminui fortemente o que permite “tratar” uma quantidade maior de emissões no mesmo tempo. “É interessante quando se pensa em aumentar a produção em unidades já montadas ou num gasto menor quando se trata de construir uma nova unidade, pois este exigirá uma instalação com um tamanho menor”, comenta o gerente de Vendas do Grupo Inbra. Além disso, os cartuchos plissados exigem um sistema de limpeza com menos válvulas, aceitam maior vazão e em muitos casos, acabam aumentado a produtividade em algumas fábricas, como as de cimento, por exemplo. “Ao se optar por um filtro de mangas plissadas, normalmente, o custo e o prazo de fabricação são bem inferiores aos filtros de manga convencional”, afirma Marcello.
Outro diferencial é o tempo de troca. Os cartuchos plissados precisam de metade do tempo de parada de equipamento exigido por um filtro de mangas convencionais e gaiolas. “Hoje o tempo de parada destes equipamentos é de extrema importância para produtividade e lucratividade dos nossos clientes”, ressalta o representante da Mcfil.

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No mercado
O mercado de filtros dispõe de diversos produtos para a filtragem a ar na indústria de mineração.
O Grupo Inbra, por exemplo, produz mangas para as mais diversas aplicações como: baixas e altas temperaturas, atmosferas ácidas ou alcalinas ou outros agentes agressivos. “Temos mangas tanto em tecido tramado para sistemas de pequeno e médio porte como em feltros agulhados em Polipropileno, Poliéster, Fibra Acrílica, Nomex e Ryton entre outros”, indica Daniel.
Já a McFil oferece a solução de mangas convencionais em mais de 20 tipos diferentes de meio filtrante, inclusive com membranas em teflon, o que melhora a eficiência de filtração e a vida útil das mangas, pois se mantém limpas com mais facilidade. Em conjunto com as mangas, a McFil fabrica gaiolas em aço carbono com pintura epóxi ou aço inoxidável que garantem resistência e longa vida útil, mesmo em ambientes corrosivos e de alta temperatura. Outro produto de grande aceitação são as mangas plissadas e alta eficiência e vida útil. “Em complemento com os elementos filtrantes, a McFil disponibiliza a linha de reservatórios de ar-comprimido, válvulas de limpeza, sondas que detectam a emissão de particulados, manômetros diferenciais de pressão, economizadores de ar, programadores de pulsos, etc.”, afirma Marcello.
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